Dor orofacial e ponto-gatilho miofascial

mulher com dor orofacial

Dor orofacial e ponto-gatilho miofascial

Ponto-Gatilho Miofascial é um ponto hiperirritado no músculo esquelético que está associado a um nódulo palpável hipersensível. Estudos realizados nos Estados Unidos afirmam que aproximadamente 23 milhões de pessoas possuem desordens crônicas da musculatura esquelética.
Condições dolorosas no sistema neuromusculoesquelético, incluindo a síndrome de miofascial, constituem um dos mais importantes problemas crônicos encontradas na prática clínica de dor.

Os pontos-gatilho miofasciais (PG) são extremamente comuns, e em um momento ou outro, tornam-se parte dolorosa da vida de quase todas as pessoas. Os PG latentes, que frequentemente causam disfunção motora (rigidez e amplitude de movimento restrita) sem causar dor, são bem mais comuns que os Pgs ativos, que além de tudo, provocam dor.

Travell e Simons definiram ponto gatilho como uma região hiperirritada, usualmente dentro de uma banda tensa do músculo esquelético ou na fascia muscular, na qual há dor à compressão e pode dar origem a dor referida, disfunção motora e fenômenos autonômicos.

A síndrome da dor miofascial apresenta sintomas sensoriais, motores e autonômicos que são causados por pontos gatilho miofasciais. Os distúrbios sensoriais que são produzidos são: disestesia, hiperalgesia e dor referida. Coriza, lacrimejar, salivação, alterações na temperatura da pele e eritema, sudorese, distúrbios proprioceptivos são manifestações autonômicas da dor miofascial.

Quanto um ponto gatilho é pressionado, provoca dor e reproduz efeitos na zona de referencia. A dor é reproduzida fielmente na palpação do ponto gatilho, apesar do fato de ser remota ao local de origem e raramente coincide com distribuições dermatológicas ou neuronais.

Etiologia

Pontos-gatilho podem se desenvolver após uma lesão inicial de fibras musculares. Essas lesões podem incluir eventos traumáticos notáveis ou microtraumas repetitivos nos músculos. O ponto-gatilho provoca dor e estresse muscular. Como o estresse aumenta, os músculos se tornam fatigados e mais suscetíveis à ativação de pontos-gatilho adicionais.

Também são considerados fatores contribuintes as desordens sistêmicas, hábitos parafuncionais, posturas inadequadas, desuso muscular, deficiências nutricionais, distúrbios do sono, ansiedade, depressão e estresse.

Diagnóstico

O diagnóstico da dor miofascial é melhor realizado através de uma análise cuidadosa da história da dor, juntamente com um exame físico consistente. Identificação da distribuição da dor é um dos elementos mais críticos para diagnóstico e tratamento da dor miofascial.

A dor pode ser projetada em um padrão de referência periférico, padrão de referência central, ou um padrão de dor localizado.

Características clínicas da síndrome de dor miofascial
O início insidioso e descrição da causa da dor;
Padrão de distribuição da dor;
Amplitude de movimento restringido com aumento da sensibilidade ao alongamento;
Enfraquecimento muscular devido à dor sem atrofia muscular;
Compressão causando dor semelhante à queixa principal do paciente;
Uma banda de tecxido muscular tensa palpável correlacionado com o Pg do paciente;
Reproduções da dor referida com estimulação mecânica da o gatilho ponto.

Pontos-gatilho nos Músculos da Mastigação

Um estudo realizado com 269 mulheres estudantes de enfermagem não selecionadas, com ou sem sintomas de dor, mostrou alta prevalência de Pgs nos músculos da mastigação. Os PGs foram identificados pela palpação de uma banda tensa em busca de um ponto de sensibilidade suficiente para causar reação de dor. Foram encontrados Pgs em 54% dos músculos pterigóideos laterais diretos, em 43% dos temporais anteriores direitos, em 45% dos masseteres profundos diretos.

O masseter é o músculo com maior probabilidade de causar uma grave restrição da abertura da mandíbula. A dor referida de pontos-gatilho localizados na camada superficial do músculo masseter pode ser projetada para a sobrancelha, para o maxilar, para os molares superiores e inferiores, que se tornam hipersensíveis à mudança de temperatura.

Na camada profunda do músculo, os Pgs podem referir dor profunda à orelha e à região da articulação temporomandibular (ATM).

Cefaléia tendo como causa Pgs ativos no músculo temporal é comum, sendo descrita como dor sentida amplamente em toda região da têmpera, ao longo da sobrancelha, atrás do olho, em qualquer um ou em todos os dentes superiores e ATM. Às vezes os pacientes são incomodados por contato prematuro dos dentes.

Tratamento

O tratamento da dor miofascial varia desde casos simples com dores localizadas em apenas um músculo, e casos mais complexos envolvendo vários músculos e com muitos fatores contribuintes. Há um consenso para prática clínica baseada em evidências científicas que os maiores sucessos ocorrem quando lançamos mão de várias técnicas, tais como exercícios musculares, sprays de gelo e alongamento, injeções em ponto-gatilho, biofeedback, correções posturais, terapia medicamentosa e comportamental cognitiva, controle de fatores contribuintes perpetuantes.

A dor Miofascial é uma desordem muscular crônica mais comum e complexa presente em pacientes com Dor Orofacial. O tecido muscular danificado normalmente é capaz de se regenerar dentro de um período de tempo razoável. Entretanto, a adesão do paciente ao tratamento e mudanças de hábitos diários são fatores determinantes no sucesso do tratamento. A abordagem multidisciplinar é responsável por detectar aspectos diferentes, em visões distintas, podendo aumentar o índice de sucesso do tratamento.

Referências Bibliográficas

Lavelle, E.D., et al. Myofascial Trigger Points. Anesthesiology Clin, 2007.
Fernández-de-las-Peñas, C. ET al. Myofascial trigger points and sensitization. Cephalalgia, 2007, 27: 1051-1060.
Simons, D.G., Travell, J.G. Dor e disfunção miofascial: Manual dos pontos-gatilhos. Volume 1.
Alonso, F.G.F., Friction, J., Hathaway, K. Oclusão, Dores Orofaciais e Cefaleia. 1ª Ed. 2

Artigo científico para o Jornal Ponto de Contato – 2009

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